domingo, 16 de janeiro de 2011

Paranã nhe´engarisáua

O hino do estado do Paraná, composto em 1903, é um dos três símbolos do estado do Paraná, juntamente com a bandeira do Paraná e o brasão de armas do estado. A letra é de Domingos Nascimento e a melodia de Bento Mossurunga e foi adotado como símbolo oficial do Estado no decreto lei-estadual número 2.457 de de 31 de março de 1947.  Está regulamentado no sexto artigo da primeira seção do primeiro capítulo da Constituição Estadual.[1][2][3] Abaixo segue uma versão feita por nós em tupi moderno do Hino do Estado do Paraná.

Kakuri Tataiasy pytera
Reseni pyre amu suí,
Paraná Kury Nde Candeiauasu,
Resu kury kety!

Ne kurumi kirimasaua
Yuy useni ´ara iaé
Ruresaua teapu,
Putyra tape upe!

Kakuri Tataiasyta pytera
Reseni pyre amuta suí,
Paraná Kury Nde Candeiauasu,
Resu kury kety!

Kuxiyma yuy sepysaua´yma
ka´a i ka´auasu sui
Rexipiá resu ne rerakena
muraseiuasu memby rupi

Kakuri Tataiasyta pytera
Reseni pyre amuta suí,
Paraná Kury Nde Candeiauasu,
Resu kury kety!

Serakena Santuariu arama
Mira Tuxaixu a´e
Reseni candeiauasu
Pindorama renipukainté!


Kakuri Tataiasyta pytera
Reseni pyre amuta suí,
Paraná Kury Nde Candeiauasu,
Resu kury kety!


Turusu kirimasaua irumo
îamaramunhã Arama
´Aripe kety îasu
Yuy kuiri uxipiá  koema


Kakuri Tataiasyta pytera
Reseni pyre amuta suí,
Paraná Kury Nde Candeiauasu,
Resu kury kety!


Versão em Português:

Entre os astros do Cruzeiro,
És o mais belo a fulgir
Paraná! Serás luzeiro!
Avante! Para o porvir!

O teu fulgor de mocidade,
Terra! Tem brilhos de alvorada
Rumores de felicidade!
Canções e flores pela estrada.

Entre os astros do Cruzeiro,
És o mais belo a fulgir
Paraná! Serás luzeiro!
Avante! Para o porvir!


Outrora apenas panorama
De campos ermos e florestas
Vibras agora a tua fama
Pelos clarins das grandes festas!

Entre os astros do Cruzeiro,
És o mais belo a fulgir
Paraná! Serás luzeiro!
Avante! Para o porvir!


A glória... A glória... Santuário!
Que o povo aspire e que idolatre-a
E brilharás com brilho vário,
Estrela rútila da Pátria!



Entre os astros do Cruzeiro,
És o mais belo a fulgir
Paraná! Serás luzeiro!
Avante! Para o porvir!



Pela vitória do mais forte,
Lutar! Lutar! Chegada é a hora.
Para o Zenith! Eis o teu norte!
Terra! Já vem rompendo a aurora!



Entre os astros do Cruzeiro,
És o mais belo a fulgir
Paraná! Serás luzeiro!
Avante! Para o porvir!




1-http://www.cultura.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=12
Acessado dia 16 de Janeiro de 2011 às 17:00
2-http://www.cultura.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=9
Acessado dia 16 de Janeiro de 2011 às 17:50
3-http://www.cmc.pr.gov.br/down/c_estadual.pdf
Acessado dia 16 de janeiro de 2011 às 19:00

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Posposições

Nas línguas do tronco tupi, de maneira geral, não existem preposições, mas posposições. Ao contrário das línguas européias, em que uma palavra que indique direção da ação verbal se põe à frente do verbo, em tupi moderno, sempre será após o verbo. Quando em português se diz : 'Eu fui para a padaria', em tupi se diria 'eu fui a  padaria para'. Assim se dá nas relações entre pessoas, entre substantivos de um modo geral e entre outros verbos.
As posposições mais comuns são:
Arama : Para;
Até: tem o mesmo sentido que em português. É um caso especial, por ser de fato uma preposição, ao contrário das outras, e ter sido oriundo do português. Foi anotado, por Hartt em 1872.¹
Irumo: com (na companhia de, ou usando algo);
Kety : Para (direção de movimento, local de destino);
Ramé: quando, na ocasião;
Resé: por causa de, por (em beneficio de, dativo);
Riré- após, depois;
Suí- Do, de, oriundo de;
Supé: Para (usado mais com direção para pessoas) ;
Upe: Em;

Exemplos: 'Ixe xanhi´ing nde arama xaiku!' (Estou falando para você!); 'A´e umendáriputári nde irumo, kunhã' (Ele quer casar contigo mulher!);  Iane iasu se ruka kety. (Nós vamos à minha casa.)




Exercícios:
1-Utilizar a preposição correta para a frase
a) Xasu Ixé xamunha (para) b) Karaü unheen "mairamé?" Uará usuaixára : "musapyr ara ." (Até/ após) c) Ta uiku Porto Alegre. (em) d)Reîuká ta îaguaraeté ta ixé será? (por causa de)  e)Pee Pemukai kupixaua,    pesuan bar. (após/ para) 


1-Hartt, C.F. Notes on the lingoa geral or modern tupí of amazonas. 1872
Transactions of the American Philological Association, Vol. 3, pp. 58-76
2-Sympson, Pedro Luís. Gramática da língua brasileira.
Belém, 1876


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Conjugação

Em nheengatu, assim como em outros idiomas da família tupi,
os verbos conjugam-se pela frente, isto é, através de prefixos,
não sufixos, como nas línguas indo-européias. Não se dirá, em Nheengatu,
por exemplo, eu te amo, mas eu te o-am. Essa forma de conjugação
verbal é bastante comum nos idiomas tupis, e, grosso modo, é similar em
grande parte deles. Abaixo, como paradigma, conjuga-se o verbo matar,
iûká, em tupi moderno, em guarani moderno e em português

Tupi                              Guarani                                      Português
Ixe  (x)Aîuká                 Che Ajuka                              Eu mato
Nde reîuká                    Nde rejuka                             Tu Matas 
Áe   uîuká                     Háe ojuka                               Ele Mata 
Iane Îaîuká                    Ñande jajuka                          Nós matamos
Pee Peîuká                    Pende pejuka                          Vós matais
Aitá Uîuká                    Háekuera ojuka                       Eles matam

Como se percebe, enquanto em guarani e em tupi o radical mantém-se após o
prefixo verbal, em português o radical recebe o sufixo verbal. Essa é a grande diferença.
Os prefixos, em tupi, não se modificam de acordo com a relação entre as pessoas,
como visto na página de relações entre pessoas, e a única modificação é a
existência de um reforço enfático na primeira pessoa do singular. Pode dizer-se tanto
ixe aîuká como ixe xaîuká, sendo este x- apenas uma contração do pronome xe.
É como se dissessemos ‘eu mesmo, eu próprio mato’. 
Os prefixos são: 
Ixe a-;  nde re-;   a´e u-;    îane îa-;  pee pe-; aita u-;
Exemplo : Ixe a-iku Kuritiua upe.(Eu moro em Curitiba); A´e u-mendári Maria irumo.(Ele casou com Maria)
Exercícios1-Traduzir as frases
a) Eu escrevo. b)Ele mata. c) Nos amamos d) Vocês falam. e) Nós vemos. f) Quem vê? Eu vejo. g)Quem matou? Ela matou.

Vocabulário
Escrever-kutiá
Matar-Îuká
Amar-Aixu
Falar-Nhe´eng
Ver-Ma´ã



sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Mykura i apgáua

Esta lenda foi colhida por Couto Magalhães, e publicada em seu livro, 'O selvagem', como exemplo de uso do tupi moderno.[1] É parte de uma série de lendas sobre raposas, as quais, como nas fábulas gregas e latinas, são exemplo de que quem é 'esperto' nem sempre termina bem. Nesse papel, nas lendas colhidas por Magalhães, revezam-se os macacos, as onças e as raposas. 
Nesta fábula, a raposa brinca com a piedade de um homem, que, na primeira vez enterra a raposa, na segunda vez a cobre com folhas, na terceira vez, a tira do caminho e na quarta vez a amaldiçoa e a joga nos espinhos.
A fábula apresenta estrutura narrativa tipicamente oral, com alternâncias constantes no tempo verbal, comum nas sögur islandesas. Com efeito, um aspecto que dificulta a tradução de textos com tal caracteristica é a irregularidade, aos olhos da língua escrita erudita, na formação do tempo verbal. Torna-se um desafio concordar os tempos, de modo a fazer clara a idéia do texto. Observe-se o texto da saga dos volsungos, no momento em que o herói Sirgudr mata a serpente Fáfnir: " Ek er Ormrinn skreið yfir grófina, þá legger Sigurdr sverdinnu..."[2] A tradução literal dos tempos verbais indicaria : "E que a Serpente rastejou sobre o rego, então  golpeia Sigurdr com a espada..."[3]. Assim como em nórdico antigo, também há tal inconstância nos textos em tupi moderno. Na fábula apresentada, temos "Umutyrica a´e pé suí, upupeká ka´a irumo, usu ana.", que, traduzidos os tempos verbais, seria: "Tira-a do caminho, cobre-a com folhas, foi". Em nhe´engatu, porém, o presente e o pretérito se confundem. Alguém poderia utilizar deste argumento para afirmar que o texto todo está no passado. Devido à existência, no entanto, da partícula -ana, no fim do verbo usu, indica que essa ação encerra a série de ações, e esta, principalmente, está no pretérito. Isto anularia a necessidade de se por os outros verbos no pretérito, dado o sentido de pretérito que, além do verbo, o contexto, uma história se contando, e o gestual do narrador. Utilizando destes pressupostos, traduzimos a fábula como se segue, utilizando dos tempos verbais em seqüência: presente e após futuro, onde assim se indica no texto original. Também optamos por utilizar pessoas definidas no texto, posto que no texto não há indicação de que seja mais de uma raposa. Diz-se apenas 'Mykura uiana', enquanto está claro que é um único homem que encontra a raposa. Por ser um texto de expressiva oralidade, preferimos por utilizar um português padrão mais coloquial para a tradução.


Mykura i apgáua


Mykura usu uieno maarupi apgáua usasau arama uaa, uiumanu. Apgáua uuri, unhee:

--Mikura, taité!

Umunhã quára, uiutyma a´e, usuana. Mykura uiana ka´a rupi, usu uiene tenoné apepe¹, uiumanu ana.
Apgáua usyka ramé, unhee:
--Mykura ambyra iuyre!
Umutyrica a´e pé suí, upupeká ka´a irumo, usu ana. Mykura uiana iuyre iaytyua rupi, usu uienõ tenoné pépe.
Apgáua usyka unhee:
--Auata uiucáiucá² kuaa mykura itá?
Umutyrica a´e pe³ suí, usu ana. Mykura uiana iuyre iaytyua rupi, usu uienõ tenoné pépe, uiumanõ ãna.
Apgáua usyka ramé, unhee:
--Tatá usapí upai rupi!
Upysyka suaia rakapira rupi uiapyana mykura iaytyua resé. Aramé mykura unhee:
--Inti katú iamumaraári auá supé umunhã katú uaá iané arãma. Usu ãna
¹-Apócope de Tape;
²-Literalmente, matamatando, forma de gerúndio a partir de reduplicação;
³-Apócope de Tape



A raposa e o homem

Uma raposa vem se deitar pelo caminho que um homem tem de atravessar, e se finge de morta.
Vem o homem e diz:
--Coitada da raposa!

E faz um buraco, a enterra, e se foi
A raposa corre pelo mato, vai se deitar no meio do caminho, e se fingiu de morta.
Quando o homem chegou, disse:
--Outra raposa morta!

E a retira do caminho, a cobre com folhas e se foi.
A raposa corre pelo cerrado, vai se deitar no meio do caminho.
Quando o homem chegou, disse:
--Quem está matando essas raposas?
Retirou-a do caminho e se foi.
A raposa corre pelo cerrado, vai se deitar no meio do caminho, e se fingiu de morta.
Quando o homem chegou, disse:
--Queime tudo fogo!
Pega pela pela ponta da cauda da raposa e a joga no cerrado.
Depois, a raposa diz:
--Não é bom cansarmos a quem nos faz bem.
E se foi.

1-Magalhães, Couto. O Selvagem
Rio de Janeiro, Typographia da Reforma, 1876
2-http://www.septentrionalia.net/etexts/volsunga.pdf
Acessado dia 20 de dezembro de 2010 às 11:16

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Paranaguá

A cidade de Paranaguá, existente como povoação desde, pelo menos, 1549, é o mais antigo município do Estado do Paraná[1][2]. Colonizado por índios carijós, negros, portugueses e açorianos, o municipio de Paranaguá foi por muitos anos o municipio mais importante do estado, tendo perdido o posto de capital da comarca para Curitiba em 1812.[3].
Contando com 144.797 habitantes e 826,652 km² de área, é o décimo município do Paraná em população. Por abrigar em seu território o segundo porto do país em operações, a cidade de Paranaguá tem no porto sua principal atividade econômica, o qual  embarcou 22.399.244 toneladas de produtos e recebeu 10.259.357 toneladas de produtos no acumulado do ano de 2010 [4]. 
O nome Paranaguá será analisado por nós através de duas hipóteses: de que provenha do tupi antigo, ou de que provenha do guarani. 
Para que esse nome seja proveniente do tupi clássico, precisamos observar atentamente as zonas de confluência dos povos tupis e dos povos guaranis. De acordo com Gândavo, os índios tupis habitavam a costa brasileira, do Pará ao paralelo 27 [5]. Ora, o paralelo 27 passa pouco abaixo do municipio de Itajaí, o que, apesar de ser Paranaguá território dos carijós, legitima uma possível origem tupi para o nome do municipio. Olhemos então a questão lingüística. Em tupi clássico, o termo para baia, enseada, seria 'kuá'. Levando em consideração  que em tupi clássico as vogais nasais influenciam certas consoantes, dentre elas, 'k'. Juntando Paranã a Kuá, portanto, obtemos Paranãnguá[6]. 
Em guarani moderno, por outro lado, a particula 'gua' indica procedência, cognato ao tupi moderno 'ûara', e baia é 'yjere', de 'y' água e 'jere' entorno[7]. Esse vocábulo pode ter surgido para acabar com a ambiguidade com o vocábulo para buraco, 'kua', pois, seguindo a tendência dos idiomas tupis mais ao sul, tanto o guarani quanto o tupi de São Vicente, eliminam-se  vogal e consoante finais da palavra. E.g.'Kuara' -> 'Kuá' [8][9]. 
Ambas as hipóteses são válidas, pelos argumentos apresentados acima, posto que a área de paranaguá era área de transição de culturas: a tupi do litoral, com a dos guaranis do interior. Por isso, o nome pode ser oriundo de qualquer um dos dois idiomas.
Paranaguá- Retirado de poraicompaola.blogspot.com
1-http://pt.wikipedia.org/wiki/Paranagu%C3%A1
Acessado dia 9 de dezembro de 2010 às 17:30.
2-Idem.
Acessado dia 9 de dezembro de 2010 às 17:35
4-http://www.appa.pr.gov.br/arquivos/File/2010novembro.pdf
Acessado dia 9 de dezembro às 15:30
5-Navarro, Eduardo de Almeida. Método Moderno de Tupi Antigo
Petrópolis, Vozes, 1998
6-Idem
7-Acosta, Feliciano; Canese, Natalia Krivoshen de. 
Diccionario Guaraní Español Español Guarani.
Assunção. Instituto Superior de Línguas, UNA. 2006
8-Navarro, Eduardo de Almeida. Método Moderno de Tupi Antigo
Petrópolis, Vozes, 1998
9-As palavras que em tupi clássico se escreveriam com uma sílaba retrátil, em guarani e em tupi de São Vicente não as tinham. Pode-se citar como exemplo a palavra 'Kûara', buraco em tupi clássico, em guarani é 'kua'. O mesmo se pode dizer do par de palavras potyra/poty, membyra/memby, guara/gua, respectivamente flor, filho e uma forma de se dizer habitante, oriunda de 'u', comer, literalmente, aquele que come em. 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Guarapuava

Guarapuava é uma cidade dos campos gerais do Paraná, no centro do Estado, com aproximadamente 166,195 habitantes e uma área de 3 125,852 km² [1]. Fundada em 1810, o municipio de Guarapuava é o quinto maior do estado do Paraná e o maior produtor de cevada do país [2]. 
O nome do município é motivo de acirrada controvérsia entre os estudiosos do assunto. Aqui propõe-se a análise de três possíveis toponímias apresentadas: guráapyaba, sugerida por Caldas Tibiriçá; guarápuaba ou guyrápuaba, sugeridos por Teodoro Sampaio. 
A primeira proposta, de Tibiriçá, sugere que o nome do município viria do tupi ´gurá´, carvão, e apyaba, local de se queimar, carvoaria. Com esta teoria há, parece-me, dois problemas. Apyaba significaria lugar de queimar, oriúndo do verbo apy, queimar, e (s)aba, sufixo circunstancial, neste caso, de local. Mas apyaba poderia ser também homem macho, viril, humano macho[3][4][5]. Guráapyaba, portanto, poderia ser homem de carvão, aceitando-se o significado de gurá como tal. Aqui então surge o segundo problema: gurá não consta em nenhum dos dicionários consultados, além de, quando se encontra sobre o assunto em uma busca 'google', se encontra a palavra 'guyrá' mal grafada.  Em guarani, por exemplo, carvão se diria 'tatapyi', que é próximo ao nome nhe´engatu 'tatápuinha'.[6][7]. A inexistência de referências a 'gurá' como carvão não invalida esta hipótese, mas impede que se confirme.
A hipótese de Sampaio, de que o nome viria de guarápuaba ou de guyrápuaba seja talvez mais aceitável. Guarápuaba vem de 'Guará' (Eudocimus ruber), ave da família das Threskiornithidae, conhecida por sua plumagem vermelha, e de 'puaba', som, ruído[8]. Essa hipótese não é aceitável, posto que as guarás vivem no litoral do paraná, que dista aproximadamente 400km de guarapuava, invalidando tal proposta. Vejamos a possibilidade de 'guyrápuaba'.
Guyrá em tupi clássico, assim como em guarani moderno é pássaro. Portanto, 'guyrápuaba' pode ser ' local de barulho dos passáros, local de pássaro fazer barulho.' 
Eudocimus ruber






Municipio de Guarapuava




1-http://pt.wikipedia.org/wiki/Guarapuava
Acessado dia 25 de novembro de 2010 às 20:30
2-Idem
3-Tibiriçá, Luiz Caldas. Dicionário de Topônimos Brasileiros de Origem Tupi.
São Paulo. Traço Editora. 1985
4-Navarro, Eduardo de Almeida. Método Moderno de Tupi AntigoPetrópolis, Vozes, 1998
5-Idem
6-Acosta, Feliciano; Canese, Natalia Krivoshen de. Diccionario Guaraní Español Español Guarani.
Assunção. Instituto Superior de Línguas, UNA. 2006
7-http://www.indios.info/ seção nheengatu
Acessado dia 25 de novembro de 2010 às 20:45
Acessado dia 25 de novembro de 2010 às 21:00




terça-feira, 2 de novembro de 2010

Nhundiaquara

No Estado do Paraná correm 11 bacias hidrográficas, das quais 9 correm em direção ao rio Paraná e duas correm diretamente para o atlântico: Ribeira e Litorânea. A soma de suas áreas é 15.019 km²[1], abrangendo um total de 29 municípios. Dentre as duas, a bacia de colonização mais antiga, no estado do Paraná é bacia litorânea, cuja colonização começa com a chegada dos portugueses à região em 1545 [2]. Nessa região habitavam índios carijós, e índios tupis. Desses dois grupos surgiu a maior parte dos nomes de rios e montanhas da região, bem como parte do código genético dos moradores do litoral e partes da cultura regional, como as rodas de fandango. As principais cidades da região são Paranaguá,  Antonina, Guaratuba, Matinhos e Morretes. Neste último corre o rio Nhundiaquara, que se torna ponto turístico no centro de Morretes, além de ser roteiro de eco-turismo.
O nome Nhundiaquara, para Caldas Tibiriçá(1985) e Sampaio (1901), é oriundo do nome Îundiákûara[3][4], que, segundo ele, seria toca do bagre. Tal hipótese se baseia em um fenômeno comum em línguas tupis: a nasalização da semi-vogal 'i' em inicio de palavra, geralmente por contaminação de uma nasal posterior. Pode-se, por exemplo, citar a expressão  ñandejara, Nosso Senhor. É uma expressão em guarani moderno, em que essa dicotomia é produtiva: diz-se ñande ja- ou ñande ña-, dependendo apenas da nasalidade do verbo. Outro ponto que pode justificar essa hipótese é a dupla forma encontrada em guarani moderno para a palavra bagre: Jurundi-´a ou Ñurundi´a [5]. 
Esse fenômeno também se nota em tupi antigo, em palavras como andub, sentir. Por ser verbo transitivo direto, necessita de um pronome enclítico -i-. Ao se unir o pronome ao verbo, o -i- torna-se -nh-, resultando em a-nh-andub, ere-nh-andub etc[6].
O bagre em questão é, possivelmente, o Rhamdia Quelen, conhecido vulgarmente como jundiá. É uma espécie de bagre comum nos rios do Brasil, em todas as bacias hidrográficas.[7]

Nhundiaquara em Morretes-retirado de  ochogeek.blogspot.com
1-Mapa de Bacias do Paraná. SUDERHSA, 1996
2-http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Paran%C3%A1 
Acessado dia 2 de novembro de 2010 às 16:17
3-Tibiriçá, Luiz Caldas. Dicionário de Topônimos Brasileiros de Origem Tupi.
São Paulo. Traço Editora. 1985
4-Navarro, Eduardo de Almeida. Método Moderno de Tupi Antigo
Petrópolis, Vozes, 1998
5-Acosta, Feliciano; Canese, Natalia Krivoshen de. Diccionario Guaraní Español Español Guarani.
6-Idem 4.
7-http://www.cepen.com.br/pesc_jundia.htm
Acessado dia 4 de novembro de 2010 às 17:00
8-http://ochogeek.blogspot.com/2010/06/morretes-pr.html
Acessado dia 4 de novembro de 2010 às 17:10